Meia Volta, Volver! - Parte 2

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Foi um beijo longo, demorado. Tinha gosto de chocolate, marshmallows, coca cola e vodca. O cabelo dela estava no meio, dava para sentir isso também. Ela tinha corpo, isso não dava para negar, mas eu era um rapaz de respeito, nunca ‘’avançaria o sinal’’ com aquela garota. Ainda mais com ela. Parecia mentira, mas eu meu jeito. Alguns diriam que eu era gay.
De repente, ela parou. E me olhou, sem graça.
- Faz muito tempo que eu não beijo um garoto. É uma sensação diferente, isso eu não posso negar. – e deu risada.
- Faz tempo que eu não beijo também. Mas, eu sempre beijei garotas. Então, nem posso falar nada. Mas, seu beijo tem gosto de vodca e chocolate. Te digo, é maravilhoso. – e sorri.
Ela ficou sem graça.
- Isso foi o elogio mais bizarro ao meu beijo em 16 anos. Você é original, isso não posso negar. E seu beijo tem gosto de... – e fez uma pausa. – de chiclete de morango. Adoro morango. – e me abraçou.
Fiquei pensando na órbita dos planetas naquele momento. Parecia que eu estava em outra dimensão. Eu queria que aquilo fosse infinito. Eu estava tendo pensamentos românticos demais.
- Vai durar quanto tempo isso? – eu perguntei, sentindo o perfume dos cabelos de Manoela. Não sabia por que tinha perguntado aquilo para ela. Piegas demais. Credo.
- Não sei. Também, não importa. – ela disse, me apertando ainda mais a ela.
Ficamos naquilo durante muito tempo. O vento batia, as luzes piscavam.
Ali, eu percebi. Eu seria dela por muito tempo. Aquilo tinha um gosto agridoce.
Mas, a aura de amor que eu sentia mudou de uma hora para outra, quando, de repente, ela se soltou de mim e saiu correndo. Fiquei parado na areia, mas, me liguei que ela estava indo embora e corri atrás dela. Ela era rápida, isso eu não podia negar.
Enfim, Manoela se escondeu, porque eu realmente não a achei.
Decidi me sentar no banco que havia no calçadão da praia, para ver o transtorno que essa garota agora trouxe para minha vida em apenas alguns minutos. The Cure e ‘’Just Like Heaven’’ vieram na minha mente nesse momento. Essa garota é do vento, só pode. Deve ir e vir quando quer, desaparecer dever ser seu dom. Deus a castiga por ser assim.
Foi quando eu ouvi meu nome.
- Gabriel. Aqui. – e me virei para ver da onde vinha o som. Manoela estava escondida atrás do posto salva vidas, em um lugar muito bem iluminado.
- Ótimo lugar para se esconder. Se fosse no RPG, eu já tinha te achado. – disse irônico.
- Ironias são o meu forte, nem tente, ok? – ela disse séria.
- Você sempre faz isso? Beija as pessoas e foge depois? – eu disse um tanto acusatório.
- Não. Somente quando necessário. E quando eu quero. Não peço para entrar na vida das pessoas, elas vem porque elas querem encrenca, vodca e lágrimas. – ela disse seca.
- Faça isso quantas vezes quiser, até achar que as pessoas vão te deixar sozinha para sempre. – eu disse. Eu estava sendo mal. Isso era um fato novo.
- Não sou sozinha. Eu tenho uma namorada, mãe e amigos. Você nem me conhece direito para dizer isso de mim. – ela disse, se levantando e chegando mais perto de mim. Ela estava brava, dava para ver isso em seus olhos vermelhos.
- Tudo bem, é você que diz isso. – eu disse. Evito brigas dizendo isso.
Ela sorriu.
- Foi péssimo o que eu acabei de fazer. Te beijar foi um pequeno erro, eu não podia ... – e colocou a mão no rosto, em desacordo – Eu não sou uma garota com a qual você está acostumado. – ela disse suspirando e me olhando. Seu rosto estava vermelho, de tanto que ela esfregou.
- Tudo bem. Mas, uma coisa. Se você está aqui, é porque tinha que estar. Há algum propósito nisso. – eu disse, parecendo um padre velho, dando conselhos para a jovem desviada do caminho de Deus.
Ela me olhou, um tanto desdenhosa, e ficou em silêncio. Decidi falar então:
- Não importa. Nada importa. É natal, não é? – disse divertido.
- Isso importa. É natal. - ela me olhou e apontou para o céu.
Os fogos de artifício começaram a pipocar no céu, anunciando a meia noite. Manoela pegou em minha mão e disse:
- Feliz natal. – ela disse.
- Feliz natal. – eu disse.
Nos olhamos por longos segundos e depois, ela disse:
- Vamos para casa. Acho que precisamos olhar para as luzes no céu e ver o sentido que isso tem. - ela disse, sorrindo.
- Também acho.
Enganchei meu braço no dela e começamos a caminhar. Nos dois sentidos.

Continua.