da noite fria
de braços gordos e vazios
eu via
que aqueles seios que mergulhava
como nos rios
que me banhava
não tinham mais efeito
minha mente carecia de informações e data
para formular uma teoria
mesmo que mortal como faca
para entender porque meu coração não sorria
e teu corpo que me excitava
agora era nada
talvez, fossem outros braços
que eu, agora clamava
- talvez a primavera passada
tenha acabado com o encanto
e num novembro, sozinha fiquei em uma cama gelada
nua, desfeita
perdi a calma,
a inocência, assim tu se viu satisfeita
enganou-me com discursos de amor
enlouqueceu o quanto pode
fez do frio, calor
trocou meus versos por lixo
mas hoje, nessa noite gelada
vejo que tua falácia
era a brisa do inverno que acabou
e de outubro, novembro, dezembro
agora nada mais lembro
e espero que não se importe
porque esses versos pobres
são só memórias de um novembro fracassado
um sorriso amargo
e seus olhos negros borrados