Meia Volta, Volver! - Parte 7
by Emily
Fui até ela batendo o pé, de tanto ódio que estava. Gabriel com ódio, fato novo. Droga, droga, droga, droga, droga. Eu odeio isso, realmente. Dá pra ficar mais puto da vida do que isso? Quem tá fazendo isso? Quem é o babaca que tá ferrando com a minha vida inteira em um feriado estúpido como o natal?
- O quê você tava fazendo aqui? – disse, meio ignorante, meio jeito não Gabe de ser.
Ela me olhou fria, sem expressão.
- Estava fazendo essa mesma pergunta para mim mesma quando te vi com aquela garota. Aposto que é aquela tua namoradinha que te largou, não é? – ela disse, meio gritando, meio jeito não Manoela de ser.
- Era sim, porquê? Algum problema, colorida? Pelo menos ela voltou e não saiu correndo com uma criança contrariada. – disse, rindo.
Estava bravo mesmo. E ela também. Tanto que só senti o tapa na minha cara uns 5 segundos depois que realmente foi.
Wow, aquilo era novo. Um tapa? Cocei meu rosto, tamanha foi a força que ela colocou naquilo.
- Enfim, quem é a criança contrariada aqui? – ela disse, com ar de superior.
- Continua sendo você, idiota. – disse, rindo. Aquela situação tão única e engraçada era tão… irreal. Levaria um tempo para absorver aquilo.
Ela ficou realmente brava com minha indiferença e começou a gritar, apontando o dedo na minha cara.
- Eu, idiota? Você tem certeza disso? Quem foi que beijou uma garota lésbica aqui? Quem foi o babaca que ficou consolando a garota triste e bêbada? Quem foi o imbecil que ficou jogando uma conversa mole de poesia, de amor, de uma vida feliz? Quem pede musica pra banda pra poder dançar com uma garota que tem um amor tão, mas tão grande por uma outra garota? Quem é o vagabundo que destrói com tudo isso? Agora continuo sendo a idiota? A infantil? Vamos Gabriel, tenha a decência de dizer algo, de ser homem, um que você nunca vai ser! – ela terminou, com lágrimas nos olhos.
Tá permitido se jogar da ponte já? Ainda dá tempo de fazer uma máquina do tempo, voltar uns 3 dias atrás? Alguém tem uma arma por aqui?
Infantilidade detected. Babaquice dectected. Eu precisava de um cigarro.
Tirei um do bolso, acendi e fiquei olhando pra ela, enquanto sentia a fumaça invadir meus pulmões e depois ir embora.
- Quer um? – disse simplesmente.
Ela me olhou profundamente e relaxou a posição de urso pronto para matar que estava diante de mim.
- Tem dois? – ela disse, enquanto se sentava no meio-fio da rua. Entreguei o cigarro, o isqueiro e ficamos ali, fumando, pensando naqueles 5 minutos perturbadores que acabamos de passar.
- O destino quer nos juntar ou separar, Gabe? – ela perguntou, distante. – Sempre que estamos bem, acontece algo e estraga nossa pequena felicidade, que foi construída a muito, muito custo. Sabe quanto tempo eu demorei para poder beijá-la de verdade? Nove meses. É bastante tempo, não é? Ter nos lábios o que tanto almeja depois de tanto tempo? Foi no estacionamento do meu prédio, na chuva, depois de mais uma tentativa inútil dela fugir de mim. E lá ela finalmente cedeu, e tudo isso começou. Já estamos juntas a quase um ano, quer dizer, estávamos juntas. Puta merda, eu não sei o que fazer, eu simplesmente não vivo sem ela. Não vivo mesmo. Não é uma chamazinha qualquer, um foguinho simples. É uma fogueira, queimando, queimando, devastando tudo, destruindo, mas, ao mesmo tempo, um chama meio que eterna, sabe? É pra sempre, Gabe. – ela disse, com mais lágrimas nos olhos.
- Se é pra sempre, Manu, vai durar. Vai voltar. – disse, com o coração doendo. Eu não queria que ela voltasse para aquela loira. Queria secar suas lágrimas, cuidar dela, dar um romance normal, sem dores, tranquilo, simples. Era tão fácil, tão… distante, de certa forma. Eu amava essa garota, só pode ser isso.
Meu rosto estava duro, segurando lágrimas repreendidas a muito tempo.
- Eu nunca, na minha vida inteira, vou amar alguém da mesma forma que ela. – ela disse, olhando fixamente para mim. – Eu não quero, não preciso de outra pessoa a não ser dela. Você não será a exceção, Gabriel. – ela terminou, se levantou e foi caminhando, indo embora. Mas uma maldita vez estava deixando ela ir, fazer o que quisesse, dando a srta. o direito de sair da minha vida de uma forma tão egoísta… tão estúpida.
Levantei rapidamente e andei ferozmente até sua direção. Peguei firmemente em seu braço e disse, furioso. Ou tentando parecer.
- Você tá acostumada a sair da vida das pessoas assim? Negando a si mesma uma chance? Tenho absoluta certeza que você iria agora onde está aquela lésbica desprezível, que iria te trocar por um garoto, um que tem algo que você não pode dar a ela, implorar perdão e voltar a namorá-la. Você voltaria a ser usada, a ser idiota de ter novamente na sua vida uma pessoa que nem se importa com seus sentimentos, que nem sequer disse um “eu te amo” em um ano de namoro. Aposto que ela não fez isso, não é? Chega de dar murro em ponta de faca, Manoela. Eu não sei como isso aconteceu, mas eu me apaixonei por você. Por essa doçura, essa tranquilidade, coisas tão encantadoras… - disse, me deixando levar pelas lágrimas tímidas que desciam. – Eu poderia fazer você feliz, sabia? Eu desejo isso do fundo da minha alma. Eu amo você. – terminei e colei meus lábios nos dela.
Foi um beijo intenso. Mas que acabou rápido.
Muito rápido.
Ela se debateu em meus braços e me deu um soco no nariz, não muito forte, mas que foi suficiente para que eu ficasse longe dela.
- Nunca mais encoste em mim, Gabriel. Nunca mais. E você não está apaixonado por mim coisa nenhuma, você ama uma garota que imaginou ai, nessa sua cabeça fantasiosa. – disse, chorando muito. – Foda-se, eu não te amo, e não vou amar ok? Você reclamou tanto de mim que fez um autorretrato de você mesmo quando falou aquelas coisas para mim. – ela finalizou e foi andando furiosamente, rápido.
Ela tinha razão. Pelo menos na ultima parte.
- Você não sabe o que se passa na minha mente e no meu coração, sua vadia! – gritei.
Ela parou e me olhou, de longe, com um sorriso sarcástico no rosto.
- E você sabe, Gabriel? Não aponte defeitos que você mesmo tem nos outros. – ela disse. – Nem você mesmo sabe o que quer. Faça o favor de sair da minha vida e fechar a porta, ok? Eu nunca vou te amar mesmo. – disse, virou as costas e caminhou, agora tranquila, mas de cabeça baixa.
Eu nem sabia mais onde estava meu cigarro. Onde estava meus pensamentos, o pouco de vergonha na cara que eu tinha. Eu nem sabia se existia direito. Apenas estava tentando assimilar o fato ocorrido, ver a merda que minha vida estava.
A garota que me tirou da escuridão me odeia. A que eu supostamente amava foi embora. A que realmente queria amar, cuidar, fazer feliz estava correndo, infeliz, para seu amor. Aquela que estava disposto a fazer as maiores besteiras, não me quer por perto. E disse que nunca iria me amar.
Na boa? Mesmo? Eu nem sei mais de nada.
Quer dizer, eu quero fumar mais um cigarro e deixar as lágrimas tomarem conta do meu rosto.
Pelo menos por enquanto.
Continua...